FragmentosO Banho Clarisse Lispector Postado Por Raí T. Rio 4 de maio de 2026 Postado Por Raí T. Rio 214 “A água estava morna e Joana entrou nela com um estremecimento. […] Era o prazer físico mais puro, o de não pensar, o de deixar que a água corresse sobre o corpo como se fosse uma pele nova, mais sensível e mais fria. Você pode se interessar por este post Capitu Ela se olhava. Onde estava Joana? Se ela fechasse os olhos, deixaria de existir? Não, o pensamento continuava, uma luzinha acesa no escuro. Mas que pensamento? Nenhum. Apenas o ser. Eu sou, eu sou, eu sou. A batida do coração, o sangue correndo, a respiração. Era como se ela estivesse nascendo naquele momento, sem passado, sem nome, apenas uma força viva debaixo da água.” Este capítulo sintetiza os principais pilares da literatura clariceana: Epifania no cotidiano: Um ato simples (tomar banho) transforma-se em uma experiência existencial profunda. “Perto do Coração Selvagem” refere-se exatamente a esse estado de liberdade moral e animalidade que Joana busca. No banho, ela se despe das convenções sociais e do papel de “esposa” ou “mulher” para ser apenas matéria e consciência. A Linguagem Sensorial: Clarice não descreve apenas a cena, ela faz o leitor sentir a temperatura da água e o isolamento do mundo exterior. A Dualidade de Joana: neste ponto do livro, fica claro que Joana não é uma personagem “comum”. Ela é frequentemente descrita como tendo algo de “mal” ou “selvagem” dentro de si. No capítulo do banho, essa natureza não é vista como um defeito, mas como sua essência mais pura, livre das amarras da lógica humana. “Viver não é cruel”, pensava Joana sob a água. “Viver é apenas ser.” Fragmento de “Perto do Coração Selvagem” Tem alguma opinião? Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião! 0 1 0 0 0 0 Clarice Lispector Compartilhar 0 FacebookTwitterWhatsappEmail Comentar Deixe um comentário Cancelar resposta Post Anterior Cecília Meireles Próximo Post Konstantinos Kaváfis Você também pode gostar destes posts Poty Óbito do Autor Quincas, o Cão