Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, no bairro do Rio Comprido, região central do Rio de Janeiro. Ficou órfã muito cedo e foi criada pela avó, o que influenciou sua sensibilidade e visão melancólica da vida.
Formou-se professora e dedicou grande parte da vida à educação, sendo uma importante defensora da renovação pedagógica no Brasil.
A vida e a obra de Cecília Meireles ocupam um lugar central na literatura brasileira, especialmente pela delicadeza, musicalidade e profundidade filosófica de sua poesia.
Com dezoito anos de idade, em 1919, Cecília publicou seu primeiro livro de poemas, “Espectros”, lançado pela Editora Leite Ribeiro contendo dezessete sonetos, escritos no tempo em que cursava a Escola Normal, e com prefácio assinado por Alfredo Gomes, que tinha sido seu professor de Língua portuguesa e, à época, prestigioso gramático, que saudava “o coração já superiormente formado, a inteligência clara e lúcida, a intuição notável com que sabia expor pensamentos próprios e singulares até em assuntos pedagógicos” de sua aluna
A partir daí, Cecília começou a se aproximar de escritores como Tasso da Silveira, Andrade Muricy e, entre fevereiro e março de 1922, escreveu novos poemas para compor um novo livro. Nessa época, aconteceu a Semana de Arte Moderna, em São Paulo, liderada por Oswald de Andrade, com o qual Cecília teve pouco contato. Publicou em 1924 “Criança, Meu Amor”, seu primeiro livro infantil, com crônicas em prosa poética para o ensino fundamental, nas quais a escritora abordou realidades que as crianças gostam, como “o imaginário, o bom conselho, o humor e a fantasia”. Os poemas escritos entre fevereiro e março de 1922 foram publicados em “Baladas para El-Rei”, lançado em 1925, pela Editora Brasileira Lux, com ilustrações de Correia Dias.
Além de poeta, cronista, teatróloga e jornalista, Cecília também teve uma renomada carreira de tradutora literária, pelo que recebeu mais de um prêmio e reconhecimentos internacionais. Ela conhecia inglês, francês, italiano, alemão, russo, espanhol, hebraico e dialetos do grupo indo-iraniano, tendo aprendido o sânscrito e hindi. Dentre as obras que verteu ao português, destacam-se as traduções de poemas de Rabindranath Tagore, pelo que recebeu título de Doutora Honoris Causa pela Universidade de Delhi na Índia, além de Charles Dickens, François Perroux, Alexandre Pushkin, Rainer Maria Rilke,.
Cecília viajou por vários países das américas, além de Índia e Portugal, experimentando situações que ampliaram sua visão cultural e espiritual. Em suas viagens pelas Américas, na década de 1940, visitou os Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai e Chile. No verão de 1940, ela deu palestras na Universidade do Texas em Austin. Ela escreveu dois poemas sobre seu tempo na capital do Texas e um longo poema de 800 linhas, socialmente consciente com o título de “EUA 1940”, publicado postumamente. Como jornalista, suas colunas (crônicas) concentravam-se mais na educação, mas também em suas viagens ao exterior no hemisfério ocidental, Portugal, outras partes da Europa, Israel e Índia (onde recebeu um doutorado honorário).
Teve forte ligação com o movimento do Modernismo, embora sua poesia tenha características muito próprias, mais líricas e universais do que experimentais. Mas, diferente de outros modernistas, sua escrita é mais contemplativa do que experimental.
A produção de Cecília Meireles é vasta e inclui poesia, prosa, literatura infantil e crônicas. Sua poesia é marcada por ritmo e sonoridade, quase como música. A autora sempre explorou temas universais, tais como:
– Tempo
– Efemeridade da vida
– Solidão
– Espiritualidade
Considerada uma das maiores vozes da poesia em língua portuguesa, ao lado de nomes como Fernando Pessoa, sua obra continua sendo estudada e admirada por sua profundidade emocional e beleza estética.
Cecília Meireles faleceu em 9 de novembro de 1964, no Rio de Janeiro, pouco depois de completar 63 anos, vítima de um câncer no estômago que começou a se manifestar em 1962.
PRINCIPAIS LIVROS DA CARREIRA:
1919 – Espectros
1923 — Nunca Mais…
1923 – Poema dos Poemas
1925 — Baladas para El-Rei
1939 – Viagem (sua obra mais premiada)
1942 – Vaga Música
1945 – Mar Absoluto
1953 – Romanceiro da Inconfidência
1956 — Canções
1957 — Metal Rosicler
1962 — Poemas Escritos na Índia
1964 – Ou Isto ou Aquilo

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