“Viagem” (de 1939), de Cecília Meireles, é uma obra-prima da poesia brasileira, marcando a consagração da autora (neossimbolismo). Composto por 99 poemas, incluindo epigramas, o livro aborda temas como a efemeridade do tempo, a melancolia, o amor e a morte, marcados por uma forte sonoridade, intimismo e uma atmosfera metafísica de busca pelo eterno.
É possível perceber que os poemas de “Viagem”, que cobrem o período de 1929 a 1937, são um projeto empenhado da autora, que buscava fazer poesia de qualidade, vinculada à tradição literária e à poesia modernista. Com o livro, Meireles ganhou em 1938 o prêmio da Academia Brasileira de Letras, causando críticas mordazes, principalmente de Mário de Andrade (em artigo que se encontra na coletânea “O Empalhador de Passarinho”), por ela ter se curvado à “perniciosa e pouco fecunda” ABL.
Pontos principais do livro:
– Temática Existencial: A obra reflete sobre a vida como uma jornada (“viagem”) passageira, destacando a angústia e a impermanência das coisas;
– Estilo Neossimbolista: Caracteriza-se por uma linguagem vaga, musical e sugestiva, distanciando-se do caráter social de outros modernistas da época;
– Poema “Retrato”: Um dos mais famosos da obra, reflete sobre a transformação física e emocional, além da perda da identidade ao longo do tempo;
– Estrutura: Inclui poemas líricos e epigramas (poemas curtos e mordazes de origem clássica).O livro consolidou Cecília como uma das maiores poetisas da língua portuguesa.
Características da linguagem do livro:
– Forte musicalidade (ritmo suave, quase canção)
– Uso de símbolos (mar, vento, noite, sonho)
– Linguagem simples, mas profundamente filosófica
– Tom lírico e meditativo
“Viagem” é o primeiro livro que a própria Cecília Meireles levou a sério. Os anteriores: “Espectros” (1919), “Nunca Mais…” (1923), “Poemas dos Poemas” (1923) e “Baladas para El-Rei” (1925), a própria autora retirou da primeira reunião de sua “Obra Poética”, publicada pela Aguilar, em 1958.
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