Vida e ObraKonstantinos KaváfisA Poesia Em Folhas Voadoras Postado Por Raí T. Rio 10 de maio de 2026 Postado Por Raí T. Rio 101Konstantinos Pétrou Kaváfis nasceu em Alexandria, 29 de abril de 1863 foi um poeta grego-otomano, geralmente considerado o maior nome da poesia em idioma grego moderno. Por vezes, seu nome aparece creditado como Constantine P. Cavafy. Ainda que tivesse nascido no Egito Otomano, Kavafis pertencia a numerosa colônia helênica que floresceu nessa cidade mediterrânea. A condição de estrangeiro, na própria terra, pode ser realçada pelo fato de que conhecia muito pouco o árabe, língua materna da quase totalidade da população egípcia. Mas é sempre importante lembrar que a Alexandria, do período em que viveu Kaváfis, era cercada por um contexto social bem mais cosmopolita do que o que se apresenta em nossos dias. Você pode se interessar por este post Cecília MeirelesO seu pai, um rico comerciante de tecidos, morreu em 1870, mas deixou a família em precária situação financeira. A sua mãe e os seus seis irmãos mudaram-se para Inglaterra dois anos depois. Devido a má administração dos bens da família por parte de um dos filhos, a família foi forçada a regressar a Alexandria, na pobreza.Os sete anos que Kaváfis passou em Inglaterra foram importantes na formação da sua sensibilidade poética. O seu primeiro verso foi escrito em inglês (assinando ‘Constantine Cavafy’), e o seu subsequente trabalho poético demonstra uma familiaridade substancial com a tradição poética inglesa, em particular as obras de William Shakespeare e Oscar Wilde. Devido a revoltas políticas no Egito, viveu três anos na Turquia com a família da mãe. Foi lá que ele começou a pesquisar suas raízes bizantinas e a explorar sua identidade sexual e poética e a questionar a Cristandade, o patriotismo e a heterossexualidade.Os anos que se seguiram, de regresso a Alexandria, representaram tempos de pobreza e desconforto, mas revelaram-se igualmente significativos no desenvolvimento da sensibilidade de Kavafis. Este escreveu os seus primeiros poemas – em inglês, francês e grego – durante este tempo, em que aparentemente também teve as primeiras relações homossexuais.Publicou 154 poemas e cerca de mais uma dúzia permaneceram incompletos ou no esboço. Em vida, não publicou nenhum livro. Seus poemas eram distribuídos em feuilles volantes (folhas soltas) ou, então, publicados em algumas revistas literárias. O mais próximo de um livro, foram dois opúsculos que imprimiu: o primeiro, em 1904, com dezesseis folhas e o segundo, em 1910, com vinte e quatro folhas.Em 1935, foi publicado o livro póstumo com os 154 poemas. Esta editio princeps consistia basicamente em uma coletânea das diversas feuilles volantes que fizera o poeta greco-alexandrino. Os poemas da editio princeps acabaram por receber o nome de canônicos. Entretanto, havia outros: inéditos, inacabados, repudiados que não fizeram parte do livro de 1935. Esses poemas não foram ainda traduzidos para o português em sua totalidade.Kaváfis faleceu na mesma Alexandria de sua nascença aos 29 de abril de 1933, vitimado por um câncer de laringe. Deixou a sua poesia profundamente marcante em seus fãs leitores. Ironicamente, o homem que mal falava sobre si mesmo e que vivia num “apartamento acima de um bordel e perto de uma igreja” (como ele mesmo descrevia), tornou-se a voz mais universal da literatura grega moderna. Sua poesia é caracterizada por uma “ironia trágica”: a consciência de que a história se repete e que a dignidade humana reside em como enfrentamos nossas inevitáveis derrotas.PRINCIPAIS LIVROS DA CARREIRA:Produção em Vida (1891 – 1933): Kaváfis não lançava livros, mas sim folhas soltas ou pequenos livretos grampeados que ele revisava obsessivamente. 1891 a 1904 – Ele escreve muitos poemas que depois repudiaria (os “Poemas Rejeitados”). 1904 – Publica um pequeno folheto com apenas 14 poemas 1910 – Publica um folheto expandido com 21 poemas 1911 a 1933 – Período de maturidade. Ele passa a distribuir seus poemas em coleções temáticas ou cronológicas impressas de forma privada em Alexandria.Póstumos: 1935 – Poiémata (Poemas) – A primeira edição completa do “Cânone” (os 154 poemas que ele considerava acabados), publicada em Alexandria por seus herdeiros. 1963 – Poemas Inéditos (Anekdota) – Organizada por G.P. Savidis. Aqui o mundo descobriu 75 poemas que Kaváfis guardou em suas gavetas, muitos de teor homoerótico mais explícito ou experimentos políticos. 1983 – Poemas Rejeitado – Reunião dos versos da juventude que o autor tentou “apagar” da sua história oficial. 1994 – Poemas Inacabados – Fragmentos e rascunhos que mostram o processo de lapidação do poeta.Edições Brasileiras: 1982 – Poemas (Tradução de José Paulo Paes) – A primeira grande porta de entrada brasileira, focada no cânone 1990 – Kaváfis (Tradução de Haroldo de Campos) – Uma abordagem mais experimental e fiel à sonoridade grega 2006 – Poemas de K. Kaváfis (Tradução de Ísis Borges da Fonseca) – A primeira tradução integral do Cânone (154 poemas) feita diretamente do grego no Brasil 2015 – 60 Poemas (Tradução de Trajano Vieira) – Uma seleção que utiliza uma linguagem mais contemporânea e ríspida 2023 – Poesia Completa (Editoras variadas/Importadas) – Recentemente, houve um esforço maior em reunir o Cânone + Inéditos em volumes únicosTem alguma opinião?Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião! 0 1 0 0 0 0 Kaváfis Compartilhar 0 FacebookTwitterWhatsappEmailAdicionar Novo comentárioDeixe um comentário Cancelar resposta Sua avaliação: Quero me inscrever na newsletter! Post Anterior O Banho Próximo Post Poemas – 1982 Você também pode gostar destes posts Cecília Meireles Manuel Antônio de Almeida Clarice Lispector