FragmentosO Banho Clarisse Lispector Postado Por Raí T. Rio 4 de maio de 2026 Postado Por Raí T. Rio 124 “A água estava morna e Joana entrou nela com um estremecimento. […] Era o prazer físico mais puro, o de não pensar, o de deixar que a água corresse sobre o corpo como se fosse uma pele nova, mais sensível e mais fria. Você pode se interessar por este post O Baile Ela se olhava. Onde estava Joana? Se ela fechasse os olhos, deixaria de existir? Não, o pensamento continuava, uma luzinha acesa no escuro. Mas que pensamento? Nenhum. Apenas o ser. Eu sou, eu sou, eu sou. A batida do coração, o sangue correndo, a respiração. Era como se ela estivesse nascendo naquele momento, sem passado, sem nome, apenas uma força viva debaixo da água.” Este capítulo sintetiza os principais pilares da literatura clariceana: Epifania no cotidiano: Um ato simples (tomar banho) transforma-se em uma experiência existencial profunda. “Perto do Coração Selvagem” refere-se exatamente a esse estado de liberdade moral e animalidade que Joana busca. No banho, ela se despe das convenções sociais e do papel de “esposa” ou “mulher” para ser apenas matéria e consciência. A Linguagem Sensorial: Clarice não descreve apenas a cena, ela faz o leitor sentir a temperatura da água e o isolamento do mundo exterior. A Dualidade de Joana: neste ponto do livro, fica claro que Joana não é uma personagem “comum”. Ela é frequentemente descrita como tendo algo de “mal” ou “selvagem” dentro de si. No capítulo do banho, essa natureza não é vista como um defeito, mas como sua essência mais pura, livre das amarras da lógica humana. “Viver não é cruel”, pensava Joana sob a água. “Viver é apenas ser.” Fragmento de “Perto do Coração Selvagem” Tem alguma opinião? Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião! 0 1 0 0 0 0 Clarice Lispector Compartilhar 0 FacebookTwitterWhatsappEmail Adicionar Novo comentário Deixe um comentário Cancelar resposta Quero me inscrever na newsletter! Post Anterior Cecília Meireles Próximo Post Konstantinos Kaváfis Você também pode gostar destes posts Poty Ao Vencedor, as batatas Uma Reflexão Imoral