PoéticaOde aos Calhordas Rubem Braga Postado Por Raí T. Rio 19 de julho de 2013 Postado Por Raí T. Rio 73 Os calhordas são casados com damas gordas Que às vezes se entregam `a benemerência: As damas dos calhordas chamam-se calhôrdas E cumprem seu dever com muita eficiência Os filhos dos calhordas vivem muito bem E fazem tolices que são perdoadas. Quanto aos calhordas pessoalmente, porém Não fazem tolices – nunca fazem nada. Quando um calhorda se dirige a mim Sinto no seu olho certa complacência. Ele acha que o pobre remediado Devem procurar viver com decência. Os calhordas às vezes ficam resfriados E essa notícia logo vem nos jornais: “O Sr. Calhorda acha-se acamado E as lamentações da Pátria são gerais.” Os calhordas não morrem – não morrem jamais Reservam o bronze para futuros bustos Que outros calhordas da nova geração Hão de inaugurar em meio de arbustos. O calhorda diz: “Eu pessoalmente Acho que as coisas não vão indo bem Pois há muita gente despeitada Que não está contente com aquilo que tem.” Os calhordas recebem muitos telegramas E manifestações de alegres escolares Que por este meio vão se acoalhoando E amanhã serão calhordas exemplares. Os calhordas sorriem ao Banco e ao Poder E são recebidos pelas Embaixadas. Gostam muito de missas de ações de graças E às sextas-feiras comem peixadas. Você pode se interessar por este post Na Rua Tem alguma opinião? Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião! 0 0 0 0 0 0 Rubem Braga Compartilhar 0 FacebookTwitterWhatsappEmail Adicionar Novo comentário Deixe um comentário Cancelar resposta Quero me inscrever na newsletter! Post Anterior Duas Lágrimas Próximo Post Qualquer Música Você também pode gostar destes posts Os Teus Olhos Jura Duas Lágrimas