Vida e ObraJosé de AlencarAlém, Muito Além das Letras Postado Por Raí T. Rio 31 de maio de 2026 Postado Por Raí T. Rio 103José Martiniano de Alencar, nasceu dia 1º de maio de 1829 em Messejana no Ceará e faleceu em 12 de dezembro de 1877 na cidade do Rio de Janeiro. Alencar foi um escritor, político, advogado e jornalista brasileiro, reconhecido como o principal romancista do romantismo no Brasil. Considerado o “pai do romance brasileiro”, sua obra consolidou uma literatura nacional, marcada pelo indianismo e pela crítica aos costumes da sociedade do Império. Enquanto romancista, teatrólogo, cronista e poeta, publicou obras inescapáveis para a compreensão do passado brasileiro Você pode se interessar por este post Konstantinos KaváfisDescendia dos Alencar, família prestigiada e participativa no contexto revolucionário pernambucano, de 1817. Tornou-se notável como jurista, parlamentar imperial, escritor e polemista ativo nos periódicos do Império Brasileiro. A notabilidade rendeu-lhe homenagens, correspondências e reconhecimento de contemporâneos como Machado de Assis, que lhe tornou patrono na Academia Brasileira de Letras. Na mesma medida em que lhe rendeu críticas imediatas e posteriores.Com nove anos de idade efetuou uma penosa viagem do Ceará à Bahia, atravessando a seca de Pernambuco. O intuito da família Alencar era estabelecer-se no Rio de Janeiro. Tão marcante foi a viagem para Alencar que ele mesmo afirmou ter tirado desta experiência “a inspiração” para uma de suas obras mais aclamadas: “O Guarani”. Chegando ao Rio de Janeiro, com onze anos de idade, foi matriculado no Colégio de Instrução Elementar, dirigido por Januário Matheus Ferreira, educador da antiga escola. Neste colégio José de Alencar completou a educação primária. E a este colégio, com todas as suas experiências, dedica o segundo capítulo do opúsculo Como e porque sou Romancista, rendendo gratas palavras ao antigo professor e à instituição.Aos treze anos Alencar deslocou-se para São Paulo, para terminar a formação secundária, com intuito de ingressar na Faculdade de Direito, cuja matrícula realizou em 1846, com dezessete anos. Mas as viagens, as projeções de matrículas e o curso de direito não excluíam as leituras adicionais de Balzac, Dumas, Victor Hugo, Chateaubriand e outros grandes escritores da época. Após dois anos de “contemplação e recolhimento”, conforme descreve em autobiografia, Alencar e outros colegas fundaram uma revista chamada “Ensaios Literários”. A revista rendeu ao futuro escritor as primeiras efusões literárias e os primeiros arrojos imaginativos. Nessa época, publicou poemas inspirados em Lamartine e Byron, artigos de cunho político e literário com títulos bem-humorados, além de ter estruturado seu primeiro romance histórico, intitulado Os Contrabandistas, cujos originais, em maior parte, foram queimados para que um cachimbo fosse aceso e o restante, por iniciativa de Josué Montello, acha-se guardado no arquivo do Museu Histórico Nacional.Em 1848, ao terminar o segundo ano de Direito em São Paulo, regressou ao Nordeste, para cursar o terceiro ano na Faculdade de Olinda. Neste mesmo ano, passou dois meses em sua terra natal. Formou-se, portanto, em 1850. Aos seus dias passados em Olinda, no curso da Faculdade, atribuem alguns biógrafos os esboços iniciais do que viriam a ser alguns romances urbanos e toda a série indianista. Enfermo, em 1849 retornou a São Paulo. Ali mesmo concluiu a Faculdade. Diplomado, em 1851 estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde começou a exercer a função de advogado, trabalhando no escritório do Dr. Caetano Alberto, tido como afamado advogado da Corte Imperial, co-autor do Código Processual de 1850.Formado em Direito pela Faculdade de São Paulo, Alencar exerceu advocacia e foi redator-chefe do “Diário do Rio de Janeiro”. Elegeu-se deputado por três mandatos e tornou-se ministro da Justiça no gabinete conservador. Suas “Cartas de Erasmo”, dirigidas a D. Pedro II, revelam seu papel como polemista e intelectual influente.Enquanto político e teórico do parlamentarismo brasileiro, José de Alencar alinhou-se à perspectiva da abolição gradual, defendeu a participação feminina na política através do voto, implementou o mecanismo jurídico do habeas corpus preventivo; participou como deputado de diversos mandatos na câmara e, por notoriedade, foi alçado ao cargo de Ministro da Justiça em 1868, na ocasião do Gabinete Itaboraí, no qual permaneceu pouco mais de dois anos.Produção literária: A obra de Alencar divide-se em quatro vertentes: indianista, urbana, regionalista e histórica. No ciclo indianista — “O Guarani” (1857), “Iracema” (1865) e “Ubirajara” (1874) —, idealiza o indígena como herói nacional. Nos romances urbanos, como “Lucíola” (1862), “Diva” (1864) e “Senhora” (1875), antecipa o realismo psicológico ao explorar as tensões morais e sociais da elite carioca. Produziu ainda peças teatrais e ensaios políticos.Temas e legado: Seu projeto literário visava fundar uma identidade cultural brasileira, valorizando a natureza, a mestiçagem e o idioma nacional. Apesar de seu conservadorismo político e da defesa da escravidão em alguns textos, sua contribuição estética foi decisiva para a autonomia literária do país. É patrono da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Machado de Assis.PRINCIPAIS LIVROS DA CARREIRA:1856 – Cinco Minutos 1857 – A Viuvinha 1857 – O Guarani 1862 – Lucíola 1864 – Diva 1865 – Iracema 1865–1866 – As Minas de Prata 1870 – O Gaúcho 1870 – A Pata da Gazela 1871 – O Tronco do Ipê 1871 – Til 1871–1873 – Guerra dos Mascates 1872 – Sonhos d’Ouro 1873 – Alfarrábios 1874 – Ubirajara 1875 – O Sertanejo 1875 – SenhoraTem alguma opinião?Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião! 0 1 0 0 0 0 José de Alencar Compartilhar 0 FacebookTwitterWhatsappEmailAdicionar Novo comentárioDeixe um comentário Cancelar resposta Sua avaliação: Quero me inscrever na newsletter! Post Anterior A Casa da Tia Próximo Post Manuel Antônio de Almeida Você também pode gostar destes posts Manuel Antônio de Almeida Clarice Lispector Konstantinos Kaváfis