Um Dever Amaríssimo!
Home FragmentosUm Dever Amaríssimo!

Um Dever Amaríssimo!

Machado de Assis

Postado Por Raí T. Rio

“José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, serviam a prolongar as frases. Levantou-se para ir buscar o gamão, que estava no interior da casa. Cosi-me muito à parede, e vi-o passar com as suas calças brancas engomadas, presilhas, rodaque e gravata de mola. Foi dos últimos que usaram presilhas no Rio de Janeiro, e talvez neste mundo. Trazia as calças curtas para que lhe ficassem bem esticadas. A gravata de cetim preto, com um aro de aço por dentro, imobilizava-lhe o pescoço; era então moda. O rodaque de chita, veste caseira e leve, parecia nele uma casaca de cerimônia. Era magro, chupado, com um princípio de calva; teria os seus cinquenta e cinco anos. Levantou-se com o passo vagaroso do costume, não aquele vagar arrastado dos preguiçosos, mas um vagar calculado e deduzido, um silogismo completo, a premissa antes da consequência, a consequência antes da conclusão. Um dever amaríssimo!”

Você pode se interessar por este post

Fragmento de “Dom Casmurro”

Tem alguma opinião?

Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião!

Deixe um comentário

Você também pode gostar destes posts