Olhos de Capitu
Home FragmentosOlhos de Capitu

Olhos de Capitu

Machado de Assis

Postado Por Raí T. Rio

“Retirei-me para os [anjinhos], e depois fui para a sala. Capitu estava cosendo. (…)
— Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, «olhos de cigana oblíqua e dissimulada». Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar.
(…) Demais, ela não baixou os olhos, como eu esperava; fitou-os em mim, não direi desaforadamente, mas com uma franqueza firme e curiosa.”

Você pode se interessar por este post

É Tempo:

“Mas é tempo de tornar àquela tarde de novembro, uma tarde clara e fresca, sossegada como a nossa casa e o trecho da rua em que morávamos. Verdadeiramente foi o princípio da minha vida; tudo o que sucedera antes foi como o pintar e vestir das pessoas que tinham de entrar em cena, o acender das luzes, o preparo das rabecas, a sinfonia… Agora é que eu ia começar a minha ópera. “A vida é uma ópera”, dizia-me um velho tenor italiano que aqui viveu e morreu… E explicou-me um dia a definição, em tal maneira que me fez crer nela. Talvez valha a pena dá-la; é só um capítulo.”

Fragmento de “Dom Casmurro”

Tem alguma opinião?

Compartilhe sua reação ou deixe um comentário rápido — adoraríamos saber sua opinião!

Deixe um comentário

Você também pode gostar destes posts