A Cidade - Kaváfis
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Sobre “A Cidade”

Poema de Kaváfis

Postado Por Raí T. Rio

Dizes: “Eu vou para outras terras, eu vou para outro mar.
Hão de existir outras cidades melhores do que esta.
De todo o esforço feito – estava escrito – nada resta
e sepultado qual um morto eu tenho o coração…”

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A Cidade” é um poema do escritor grego Konstantinos Kaváfis (C. P. Cavafy), um dos autores mais importantes da literatura grega moderna. Escrito no início do século XX, o texto reflete a temática recorrente de Kaváfis sobre o exílio interior, a memória e a inevitabilidade da repetição do destino humano.

Contexto e tema:
Composto originalmente em grego sob o título *Η Πόλις* (“A Cidade”), o poema apresenta um narrador que deseja abandonar o lugar onde vive em busca de uma vida melhor. A voz poética, porém, adverte que a “cidade” o seguirá, pois ele carrega dentro de si o mesmo fracasso e a mesma rotina. A metáfora central sugere que não é possível escapar de si mesmo: a mudança geográfica não redime o espírito.

Forma e estilo:
“A Cidade” é escrita em verso livre, com linguagem direta e tom meditativo. O estilo de Kaváfis combina simplicidade formal e profundidade filosófica, frequentemente apoiado em ironia e na cadência do discurso cotidiano. O ritmo contido e a ausência de ornamentação refletem a contenção emocional do eu lírico.

Significado e recepção:
O poema é amplamente interpretado como uma parábola sobre o autoconhecimento e a responsabilidade pessoal. Sua universalidade fez de “A Cidade” uma das obras mais traduzidas de Kaváfis e um texto fundamental na poesia moderna. É frequentemente citado como exemplo da capacidade do autor de unir o cotidiano urbano e a introspecção moral.

Traduções e legado:
Traduzido em dezenas de idiomas, “A Cidade” consolidou a reputação internacional de Kaváfis após sua morte em 1933. No mundo lusófono, recebeu traduções por poetas como José Paulo Paes e Haroldo de Campos, que destacaram sua clareza ética e sua musicalidade contida. O poema continua a inspirar reflexões sobre identidade e destino na literatura contemporânea.

A vida, pois, que dissipaste aqui, neste cantinho
do mundo, no mundo inteiro é que a foste dissipar.

CONHEÇA O POEMA COMPLETO

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