“Lembra, corpo, não só o quanto foste amado,
não só os leitos onde repousaste…”
“Lembra, Corpo” é um poema do escritor grego Konstantinos Kaváfis (também conhecido como C. P. Cavafy), um dos mais importantes poetas do século XX. Escrito originalmente em grego sob o título Θυμήσου, Σώμα (Thymísou, Sóma), o texto evoca a memória do desejo e da juventude através de um tom nostálgico e sensual.
Contexto e tema:
O poema pertence ao ciclo erótico de Kaváfis, em que o corpo é o depositário da lembrança e do prazer vivido. Em Lembra, Corpo”, o eu lírico pede ao próprio corpo que recorde momentos de paixão e beleza, contrapondo o presente da perda ao passado de plenitude física. A linguagem é contida, mas intensamente emocional, e reflete a visão do autor sobre o tempo, o desejo e a identidade.
Estilo e forma:
A poesia de Kaváfis é marcada por dicção simples e precisão quase clássica. Em Lembra, Corpo”, o uso de versos curtos e ritmo suave cria uma atmosfera de confidência. A economia verbal e a ausência de ornamentação sublinham o contraste entre o corpo envelhecido e a memória viva do prazer.
Recepção e legado:
Lembra, Corpo” é amplamente traduzido e estudado, sendo considerado uma das expressões mais puras da poética memorialista de Kaváfis. Sua influência atravessa fronteiras linguísticas, inspirando poetas modernos e leitores interessados na fusão entre erotismo, introspecção e memória. O poema é frequentemente incluído em antologias que destacam a dimensão homoerótica e universal da obra do autor.
“…te entregaras – e como brilhavam,
lembra, nos olhos que te olhavam,
e como por ti na voz tremiam, lembra, corpo”
